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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Relação de Senadores em exercício - ordem - UF Brasília, 14 de dezembro de 2009


Senado Federal


Uf / Nome
Partido
Legislatura
Período
Endereço
Telefones
FAX

AC 

Geraldo Mesquita Júnior
  PMDB
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Senador Filinto Müller, gab. 12
(61) 3303-1078/1278/1279
(61) 3303-3029

Marina Silva
  PV
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Senador Teotônio Vilela - Gabinete 08
(61) 3303-2184
(61) 3303-2859

Tião Viana
  PT
53ª - 54ª
2007 - 2015
Ala Senador Ruy Carneiro, gab. 01
(61) 3303-4546/2953/2954
(61) 3303-2955

AL 

Fernando Collor
  PTB
53ª - 54ª
2007 - 2015
Anexo I, 13º andar
3303-5783/5786
3303-5789

João Tenório
  PSDB
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Senador Teotônio Vilela, gab. 02
(61) 3303-4093/4095
(61) 3303-2961

Renan Calheiros
  PMDB
52ª - 53ª
2003 - 2011
Anexo I - 15º andar
(61) 3303-2261/2263
(61) 3303-1695

AM 

Arthur Virgílio
  PSDB
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Senador Tancredo Neves, gab. 50
(61) 3303-1413/1301
(61) 3303-1659

Jefferson Praia
  PDT
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Filinto Müller, gabinete 01
(61) 3303.2061 a 2067
(61) 3303.2737

João Pedro
  PT
53ª - 54ª
2007 - 2015
Ala Senador Ruy Carneiro, gab. 04
(61) 3303-1166
(61) 3303-1167

AP 

Gilvam Borges
  PMDB
52ª - 53ª
2005 - 2011
Anexo I, 18º andar - Gabinete 1803
(61) 3303-1717 1719 1720
(61) 3303-1723

José Sarney
  PMDB
53ª - 54ª
2007 - 2015
Anexo I, 6ª andar
(61) 3303-3429/3430
(61) 3303-1776

Papaléo Paes
  PSDB
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Senador Filinto Müller, gab. 13
(61) 3303-3253/3258/3262/3277
(61) 3303-3293

BA 

Antonio Carlos Júnior
  DEM
52ª - 53ª
2003 - 2011
Endereço: Ed. Principal - Gabinete nº 5 Senado Federal Brasília-DF CEP: 70165-900
(61) 3303-2191
(61) 3303-2775

César Borges
  PR
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Senador Teotônio Vilela, gab. 13
(61) 3303-2212 a 2217
(61) 3303-2982

João Durval
  PDT
53ª - 54ª
2007 - 2015
Ala Senador Teotônio Vilela, gab. 09
(61) 3303-3173
(61) 3303-2862

CE 

Inácio Arruda
  PC DO B
53ª - 54ª
2007 - 2015
Ala Senador Filinto Muller, gab. 07
(61)3303-5791 / (61)3303-5793
(61)3303-5798

Patrícia Saboya
  PDT
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Sen. Teotônio Vilela, gab. 07
(61) 3303-2301/2302
(61) 3303-2865

Tasso Jereissati
  PSDB
52ª - 53ª
2003 - 2011
Anexo I, 11º andar, salas 1 a 6
(61) 3303-4846
(61) 3303-4590

DF 

Adelmir Santana
  DEM
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Senador Teotônio Vilela, gabinete 10
61-3303-4277/4701
61-3303-1738

Cristovam Buarque
  PDT
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala da Biblioteca, gab. 05
(61) 3303-2281
(61) 3303-2874

Gim Argello
  PTB
53ª - 54ª
2007 - 2015
Anexo I 14º andar gabinete 4
3303-1161, 3303-1547
3303-1650

ES 

Gerson Camata
  PMDB
52ª - 53ª
2003 - 2011
Anexo I, 4º andar, salas 1 a 5
(61) 3303-3204/3235
(61) 3303-3613

Magno Malta
  PR
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Senador Tancredo Neves, gabinete 55
(61) 3303-4161/5867
(61) 3303-1656

Renato Casagrande
  PSB
53ª - 54ª
2007 - 2015
Ala Senador Filinto Müller, gab. 14
(61) 3303-1129/1134/1456
(61) 3303.1974

GO 

Demóstenes Torres
  DEM
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Senador Filinto Müller, gab. 10
(61) 3303-2091 a 2099
(61) 3303-2964

Lúcia Vânia
  PSDB
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Sen. Teotônio Vilela, gab. 16
(61) 3303-2035/2844
(61) 3303-2868

Marconi Perillo
  PSDB
53ª - 54ª
2007 - 2015
Ala Tancredo Neves gabinete nº 51
(61) 3303-1962
(61) 3303.1877

MA 

Epitácio Cafeteira
  PTB
53ª - 54ª
2007 - 2015
Ala Senador Tancredo Neves - Gab. 56
(61) 3303.1402 /(61) 3303.4073
(61) 3303.1946

Lobão Filho
  PMDB
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Tancredo Neves, gab. 54
(61) 3303-2311 a 2314
(61) 3303-2755

Mauro Fecury
  PMDB
52ª - 53ª
2003 - 2011
Anexo I 19º andar
(61) 3303-3069
(61) 3303-1782

MG 

Eduardo Azeredo
  PSDB
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Senador Afonso Arinos, gab. 05
(61) 3303-2323
(61) 3303-2883

Eliseu Resende
  DEM
53ª - 54ª
2007 - 2015
Ala Senador Tancredo Neves, gab. 57
(61) 3303.4621 / 4791
(61) 3303.2746

Wellington Salgado de Oliveira
  PMDB
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Senador Teotônio Vilela, Gabinete 15
(61) 3303-2244/2245
(61) 3303-1830

MS 

Delcídio Amaral
  PT
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Senador Afonso Arinos, gab. 08
(61) 3303 2452 a 3303 2457
(61) 3303-1926

Marisa Serrano
  PSDB
53ª - 54ª
2007 - 2015
Ala Senador Afonso Arinos, Gab. 03
(61) 3303-1128 / 3153
(61) 3303-1920

Valter Pereira
  PMDB
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Senador Afonso Arinos, gab. 11
(61) 3303-2222/2224
(61) 3303-1750

MT 

Gilberto Goellner
  DEM
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Senador Afonso Arinos - Gab. 6 CEP 70165-900 Brasília-DF
(61) 3303.2271
(61) 3303.1647

Osvaldo Sobrinho
  PTB
53ª - 54ª
2007 - 2015
Ala Teotônio Vilela, gab. 24
(61) 3303-1146/ 3303-1148/ 3303-4061
(61) 3303-2973

Serys Slhessarenko
  PT
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Senador Teotônio Vilela, 21
(61) 3303-2291/2292
(61) 3303-2721

PA 

Flexa Ribeiro
  PSDB
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Senandor Filinto Müller, Gabinete 04
3303-2342
3303-2731

José Nery
  PSOL
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Senador Teotônio Vilela, gab. 17
(61) 3303-2104
(61) 3303-1635

Mário Couto
  PSDB
53ª - 54ª
2007 - 2015
Ala Senador Filinto Müller, gab. 02
(61) 3303-3050
(61) 3303-2958

PB 

Cícero Lucena
  PSDB
53ª - 54ª
2007 - 2015
Ala Senador Alexandre Costa, gab 21
(61) 3303.5800 5808
61) 3303.5809

Efraim Morais
  DEM
52ª - 53ª
2003 - 2011
Anexo I, 8º andar, Salas 4 a 7
(61) 3303-2425 a 2429
(61) 3303-1841

Roberto Cavalcanti
  PRB
52ª - 53ª
2003 - 2011
Senado Federal, Anexo II Gabinete 22 - Ala Teotônio Vilela
(61) 3303-2231
(61) 3303-2218

PE 

Jarbas Vasconcelos
  PMDB
53ª - 54ª
2007 - 2015
Ala Senador Dinarte Mariz, gab. 04
(61) 3303-3245
(61) 3303- 1977

Marco Maciel
  DEM
52ª - 53ª
2003 - 2011
Anexo I, 5º andar, salas 1 a 6
(61) 3303-5710/5716
(61) 3303-5727

Sérgio Guerra
  PSDB
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Senador Alexandre Costa, gab. 01
(61) 3303-2382/2383
(61) 3303-1746

PI 

Heráclito Fortes
  DEM
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Senador Afonso Arinos, gab. 01
(61) 3303-2131 a 2134
(61) 3303-2975

João Vicente Claudino
  PTB
53ª - 54ª
2007 - 2015
Ala Senador Tancredo Neves, gab. 53
(61) 3303-2415 / 4847 / 3055
(61) 3303-2967

Mão Santa
  PSC
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Senador Afonso Arinos, gab. 04
(61) 3303-2333/2335
(61) 3303-5207

PR 

Alvaro Dias
  PSDB
53ª - 54ª
2007 - 2015
Ala Senador Nilo Coelho, gab. 10
(61) 3303-4059/4060
(61) 3303-2941

Flávio Arns
  PSDB
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Senador Filinto Müller, gab. 06
(61) 3303-2401 a 3303-2407
(61) 3303-1935

Osmar Dias
  PDT
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Senador Teotônio Vilela, gab. 18
(61) 3303-2124/2125
(61) 3303-2740

RJ 

Francisco Dornelles
  PP
53ª - 54ª
2007 - 2015
Ala Senador Teotônio Vilela, gab. 11
61-3303-4229
61-3303-2896

Marcelo Crivella
  PRB
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Ruy Carneiro - gab 02
(61) 3303-5225/5730
(61) 3303-2211

Paulo Duque
  PMDB
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Senador Afonso Arinos, gabinete 2
61-3303.2431 a 2437
61-3303.2736

RN 

Garibaldi Alves Filho
  PMDB
52ª - 53ª
2003 - 2011
ANEXO I - 12 ª ANDAR
(61) 3303-2371 a 2377
(61) 3303-1813

José Agripino
  DEM
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Senador Dinarte Mariz, gab. 03
(61) 3303-2361/2362
(61) 3303-1816

Rosalba Ciarlini
  DEM
53ª - 54ª
2007 - 2015
Ala teotonio Vilela Gab 03
(61) 3303 1777
(61) 3303 1701

RO 

Acir Gurgacz
  PDT
53ª - 54ª
2009 - 2015
Ala Senador Teotônio Vilela, gab. 19
61- 3303.3132 / 3303-1057
61- 3303.1343

Fátima Cleide
  PT
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Sen. Filinto Müller, gab. 15
(61) 3303-2391 a 2397
(61) 3303-1882

Valdir Raupp
  PMDB
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Senador Teotônio Vilela, gab. 25
(61) 3303-2252/2253
(61) 3303-2853

RR 

Augusto Botelho
  PT
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Senador Filinto Müller, gab. 11
(61) 3303-2041 a 2048/3664
(61) 3303-1931

Mozarildo Cavalcanti
  PTB
53ª - 54ª
2007 - 2015
Ala Senador Ruy Carneiro, gabinete 03
(61) 3303- 4078 / 3315
(61) 3303-1548

Romero Jucá
  PMDB
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Senador Afonso Arinos, gab. 12
3303-2111 a 2117
(61) 3303-1653

RS 

Paulo Paim
  PT
52ª - 53ª
2003 - 2011
Anexo I, 22º andar, gab. 04
(61) 3303-5227/5232
(61) 3303-5235

Pedro Simon
  PMDB
53ª - 54ª
2007 - 2015
Ala Senador Alexandre Costa, gab 03
(61) 3303-3232
(61) 3303-1304

Sérgio Zambiasi
  PTB
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Senador Afonso Arinos, gab. 07
(61) 3303-1207/1607
(61) 3303-2944

SC 

Ideli Salvatti
  PT
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Sen. Teotônio Vilela, gab. 23
(61) 3303-2171/2172
(61) 3303-2880

Neuto De Conto
  PMDB
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Senador Teotônio Vilela, gab. 14
(61) 3303- 4041
(61) 3303- 4197

Raimundo Colombo
  DEM
53ª - 54ª
2007 - 2015
Ala Senador Nilo Coelho, gab. 04
(61) 3303-4206 e 3303-4207
(61) 3303-1822

SE 

Almeida Lima
  PMDB
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Senador Alexandre Costa, gab. 07
(61) 3303-1312/1427
(61) 3303-1414

Antonio Carlos Valadares
  PSB
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Senador Teotônio Vilela - gab. 12
(61) 3303-2201 a 2206
(61) 3303-1786

Maria do Carmo Alves
  DEM
53ª - 54ª
2007 - 2015
Ala Senador Nilo Coelho, gab. 08
(61) 3303-1306/4055
(61) 3303-2878

SP 

Aloizio Mercadante
  PT
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Senador Dinarte Mariz, gab. 01
(61) 3303-1313/5198/5214
(61) 3303-5219

Eduardo Suplicy
  PT
53ª - 54ª
2007 - 2015
Ala Senador Dinarte Mariz, gab. 02
(61) 3303-3213/2817/2818
(61) 3303-2816

Romeu Tuma
  PTB
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Senador Afonso Arinos, Gab. 13
(61) 3303-2051/2057
(61) 3303-2743

TO 

João Ribeiro
  PR
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Senador Teotônio Vilela, gab. 05
(61) 3303-2163/2164
(61) 3303-1848

Kátia Abreu
  DEM
53ª - 54ª
2007 - 2015
Ala Senador Teotônio Vilela, gab. 04
(61) 3303-2464 / 3303-2708
(61) 3303-2990

Sadi Cassol
  PT
52ª - 53ª
2003 - 2011
Ala Teotônio Vilela, gabinete 01
61-3303.2071 -2078
61-3303.1773

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

OLIMPIADAS 2016

02/10/2009 - 14:34

RIO!

De repente as Olimpíadas vêem para o Rio de Janeiro. Agora começam todos os tipos de especulações e colocações sobre o assunto. Nos próximos sete anos o Brasil viverá uma febre esportiva como nunca na sua história.

Não vou começar com especulações e delírios sobre o assunto. Não vou escrever sobre as inevitáveis palhaçadas e possíveis falcatruas que os Jogos possibilitam. Vou passar os próximos anos escrevendo sobre o quanto essa conquista pode trazer de benefícios para o esporte brasileiro e atento ao que pode prejudicar esse avanço.

O momento é de regozijo pela notícia, muitos outros momentos virão, e os parabéns por aqueles que o tornaram possível. No topo dessas congratulações esse dínamo esportivo, Carlos Nuzman, que, apesar de controverso, galgou cada degrau no esporte brasileiro, acreditou no sonho impossível e o tornou uma realidade. Com certeza, a candidatura terá, agora, uma série de padrinhos, todos querendo aparecer mais do que o outro – mas o maior responsável é o Nuzman.

Para o tênis, um esporte olímpico que já bateu na trave em duas ocasiões para trazer uma medalha para o Brasil – com Oncins e Meligeni – a notícia é tão boa quanto para o resto dos esportes. Nos próximos anos devemos ter, finalmente, um centro, ou mais, de treinamento no país. Fora a motivação de cada um dos jovens que escolher esse esporte daqui para frente.

Porque dos tenistas que estão aí com destaque no profissionalismo, dificilmente alguns deles estarão no Rio de Janeiro. Talvez o Bellucci, que estará bem maduro então. No entanto, um jovem, menino ou menina, de 12/13 anos, idade em que os tenistas começam a pensar em se comprometem com a carreira esportiva, tem boas chances de defender seu país jogando uma Olimpíada em casa. Um sonho que motivará tenistas, dirigentes, imprensa e patrocinadores. Bola pra frente.

rio-de-janeiro_sightseeing
Rio de Janeiro
– uma chance de melhorar o nosso esporte e de resgatar essa cidade maravilhosa.

Autor: paulocleto - Categoria(s): História

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

FHC repassa experiência

1 de outubro de 2009 | N° 8578AlertaVoltar para a edição de hoje

PALESTRA

Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso está em Criciúma para fazer análise sobre o futuro do Brasil

Com experiência administrativa e política de ex-presidente e na condição de sociólogo e professor, Fernando Henrique Cardoso visitou Criciúma. FHC ministrou palestra – com maioria tucana – para políticos e empresários, e aproveitou o dia para visitar empresas.
Dentro do tema “Para onde caminha o Brasil?”, FHC lamentou a crise no Senado e explicou seu posicionamento de descriminalização das drogas. Do ponto de vista econômico, elogiou o governo Lula por ter vencido a crise, mantido a estabilidade da moeda e registrado crescimento social – aspectos que estavam dentro de suas expectativas. Mas criticou diretamente as falhas nos investimentos de infra-estrutura e o enfraquecimento das instituições, que considera eixo fundamental para o desenvolvimento.
– Para crescer, não basta só a economia, tem que crescer também suas instituições. Enquanto não tivermos a crença de que perante a lei somos todos iguais, haverá impunidade, o que facilita a corrupção – afirma.
A última polêmica em que se envolveu foi no posicionamento quanto à descriminalização da maconha. FHC diz que a política norte-americana de prender não resolve, entretanto é contra a liberação das drogas.
– A repressão está perdendo a guerra e não reprimindo o uso. Descriminalizar é necessário, mas nossa lei não é precisa e coloca o usuário na cadeia. É pior. Fazer campanhas para prevenir é melhor – avalia.
O ex-presidente tem 78 anos e atualmente é presidente do Instituto Fernando Henrique Cardoso, em São Paulo, e presidente de honra do PSDB Nacional. Está longe da vida política eleitoral e afirmou não querer mais envolver-se de forma direta.

ANA PAULA CARDOSO | Criciúma

Multimídia

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Parlamentares criam calendário irrelevante de homenagens

Biaggio Talento e Regina Bochicchio, do A TARDE

Fernando Amorim / Agência A TARDE

Fã de Raul Seixas, o deputado Álvaro Gomes criou o Dia do Rock, comemorado no dia da morte do cantor

Fã de Raul Seixas, o deputado Álvaro Gomes criou o Dia do Rock, comemorado no dia da morte do cantor.

>> Qual a sua opinião sobre esta situação?

Sistema de transporte precário, segurança pública ineficiente, rede hospitalar aquém das necessidades de uma população cada vez maior. Os problemas se acumulam no Brasil, e a classe política usa seu tempo para criar dias em homenagem às coisas mais estranhas e esdrúxulas. O deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) apresentou projeto para criação do Dia do Macarrão. O deputado Lincoln Portela (PR-MG), talvez um insone, propôs 6 de abril, o Dia do Sono. As razões? É que nesse dia não se comemora nada.

Há também o Dia Nacional do Cadáver Desconhecido, esse já instituído (25 de setembro), e outras “homenagens” do gênero em níveis federal, estadual e municipal. Em São Paulo, 27 de julho é o dia do gatebol. Não se trata de algum esporte felino, trata-se de jogo onde os atletas tentam fazer passar uma bola (com o auxílio de um taco) sob três arcos. No Espírito Santo, 1° de agosto é o dia da desfiadeira de siri, enquanto em Belo Horizonte no 27 de agosto quem faz a festa são os cultores da luta de braço.

Recentemente, a Transparência Brasil, ONG que acompanha a atividade política no País, divulgou levantamento dos trabalhos da Câmara Municipal de São Paulo (que tem orçamento anual girando em torno de R$ 310 milhões) entre 2005 e 2008, constatando que dos 3.021 projetos apresentados na Casa, 832 foram aprovados, dos quais 206 eram relacionados a algum tema de relevância para a cidade. Ou seja: 91% da atividade legislativa é irrelevante para a capital paulista. Os edis gastam a maior parte do tempo e dinheiro público com a concessão de medalhas, títulos de cidadão, batismo de ruas e logradouros, além dos indefectíveis dias de alguma coisa.

A Bahia e Salvador não ficam atrás e ostentam projetos do mesmo calibre. Numa disputa musical, a Assembleia Legislativa criou o dia da salsa e o dia do rock.  A Câmara, o do samba e o do reggae.

Bases - A Verdade é que cada deputado estadual acaba tendo de criar datas que agradem às suas bases eleitorais, como é o caso do dia estadual de luta da categoria dos químicos, petroquímicos e petroleiros, proposto pelo deputado Álvaro Gomes (PCdoB).

Leia a íntegra desta reportagem na edição impressa de A TARDE desta segunda-feira, dia 28. Ou acesse aqui a versão digital, se for assinante.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

A elite pensante do país está de boca fechada. O dogma Lula é irrevogável

Por que Aloizio Mercadante não manteve sua "irrevogabilidade"? Porque não teve coragem de enfrentar Lula.

Mas, por que não teve? A razão é a mesma que acomete muitos intelectuais "não petistas" : Lula é "inatacável".

Poucas pessoas têm coragem de contestar um ex-operário, aparentemente honesto, que muito sofreu para chegar onde está. Além disso, Lula tem a cor do que seria a pátina da "revolução", de uma "justiça social" vaga.

Por isso, pergunto-me: será que os intelectuais não veem que nossa democracia conquistada há vinte anos está sendo roída pelos ratos da velha política?

Não se trata (nem estou pedindo) que esculachem o presidente.

Lula tem várias qualidades, mas está usando só os seus defeitos: autoritarismo de Ibope alto, "lua de mel consigo mesmo", confusão conceitual no ensopadinho ideológico do "lulismo" (discursos populistas e práticas oportunistas), ausência de um plano concreto, além do virtual e midiático PAC, alianças com os mais sujos para "governar" e ficando incapaz de fazê-lo pelas mesmas alianças que agora o manietam.

A atitude de Lula de se colocar "acima" da política como sendo "coisa menor" é uma sopa no mel para corruptos e vagabundos. No dia seguinte à absolvição de Sarney, o PMDB não deu trégua e já quer mais emendas orçamentárias, no peito.

Alguns intelectuais ficam "angustiadinhos": "Ah...eu tinha um sonho...que se esfumou..." - choram os militantes imaginários, e nada fazem. A covardia intelectual é grande. Há o medo de ser chamado de reacionário ou careta. Todos continuam com a mania de que são "radicais" (como ser, por exemplo, corintiano doente).

Continuam ativos os três tipos exemplares de "radicais": os radicais de cervejaria, os radicais de enfermaria e os radicais de estrebaria. Os frívolos, os burros e os loucos. Uns bebem e falam em revolução; outros zurram e os terceiros alucinam. Padecem da doença herdada (resistente a antibióticos) de um voluntarismo com ecos stalinistas, cruzada com o germe do sindicalismo oportunista. Para eles, "administrar" é visto como ato menor, até meio reacionário, pois administrar é manter, preservar - coisa de capitalistas.

Lula é dogma. Diante dele, abole-se o sentido crítico. É como desconfiar da virgindade de Nossa Senhora. Fácil era esculhambar FHC.

Volto a dizer: não quero que "demonizem" Lula; pelo contrário, quero até que o ajudem nessa armadilha em que o país (e ele) caiu por sua atitude.

Lula viaja nessa maionese ambivalente (que até a "The Economist" denuncia) de leninismo sindicalista com apresentador de TV, um "mix" de Waldick Soriano com Getúlio.

Com essas alianças, Lula revigorou o pior problema do país: o patrimonialismo endêmico, que tinha diminuído depois de FHC. Temos agora uma espécie de "patrimonialismo de Estado": boquinhas para pelegos (200 mil) e pernas abertas para o PMDB.

Estamos diante de um momento histórico gravíssimo, com os dois tumores gêmeos de nossa doença: a direita do atraso e a esquerda do atraso. Como escreveu Bobbio, se há uma coisa que une esquerda e direita, é o ódio à democracia.

Essa crise é tão sintomática, tão exemplar para a mudança do país, que não podia ser desperdiçada pelos pensadores livres. É uma tomografia que mostra as glândulas, as secreções do corpo brasileiro - um diagnóstico completo. Esse espasmo de verdade, essa brutal explosão de nossas vísceras, talvez seja perdida porque as manobras do atraso de direita e do atraso de esquerda trabalham unidas para que a mentira vença.

E intelectuais sérios, artistas famosos e celebridades não abrem a boca. Onde estão os velhos manifestos de que eles gostavam tanto?

Quando haverá manifestações da sociedade para confrontar a ópera bufa que rola à nossa frente? As denúncias foram todas provadas, a imprensa denuncia e é ameaçada, enquanto os canalhas se sentem protegidos pelo labirinto do Judiciário. E não se trata mais de mensalões e mensalinhos, netinhos ou netinhas nomeadas; trata-se da implosão de nossas instituições republicanas, feita pelos próprios donos do poder.

O Brasil está entregue à mentira oficializada, manipulada pelo governo e o Legislativo, num jogo de "barata-voa" com as denúncias, provas cabais, evidências solares, tudo diante dos olhos impotentes da opinião pública. E homens notáveis do país estão calados. Quando se manifestam isoladamente, são apenas suspiros esparsos, folhas de outono, lamentos doloridos...

Mudar é trair, para os tais "radicais" dos três tipos. Ninguém tem coragem de admitir a invencibilidade do capitalismo global, com benesses e horrores (como a vida). Ninguém abre mão da fé em utopias ridículas - o presente é chato, dá trabalho; preferem um futuro imaginário.

Não admitem que um "choque de capitalismo" seria a única bomba a arrebentar a casamata paralítica do Estado inchado, gastador e ineficiente, e que isso seria muito mais progressista que velhas ideias finalistas, esse "platonismo" de galinheiro sobre o "todo, o futuro, o ser, a história". Eles não abrem mão dessa "elegância" filosófica ridícula. Só pensam no que deveria ser e não enfrentam o que inexoravelmente é. Preferem a paz de suas apostilas encardidas. Há uma grande indigência teórica sobre o Brasil contemporâneo. Ignoram a estrutura colonial e preferem continuar com teses mortas.

O mito do messianismo é muito forte, com sua origem religiosa. Não entendem que o homem de "esquerda" de hoje tem que perder fé e esperança, e que o verdadeiro progressista tem de partir do não-sabido e inventar caminhos.

Só uma força plebiscitária poderá mover essa grande pizza envenenada.

Por isso, pergunto, como os antigos: quando haverá uma manifestação séria da opinião pública? Uma ação continuada de notáveis da República para impedir esse jogo de carniça entre os Três Poderes, essa vergonha que humilha o Brasil? Vamos continuar de braços cruzados?

A maldição do petróleo

Está todo mundo feliz com a descoberta de reservas gigantes de petróleo no Brasil. Acontece que, quase sempre, achar petróleo é uma péssima notícia*

   por Denis Russo Burgierman

O presidente Lula comemorou a imensa descoberta de petróleo ano passado dizendo que "Deus é brasileiro". Antes de celebrar, talvez ele devesse ouvir a opinião do venezuelano Juan Pablo Pérez Alfonso (1903-1979), fundador da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Para ele, petróleo não é indício da mão de Deus, mas sim do intestino do demo. Juan Pablo costumava dizer que petróleo é o "excremento do diabo".

Ele sabia do que estava falando, já que viu sua Venezuela erodir suas instituições democráticas e se perder em corrupção. É assim na maioria dos grandes exportadores de petróleo. Quase todos são ditaduras intermináveis, como o Iraque de Saddam e a monarquia saudita. Eles crescem menos que seus vizinhos sem petróleo e seus problemas sociais levam mais tempo para ser resolvidos. Vários são países devastados por guerras civis. Mesmo as democracias do óleo tendem a ser pouco democráticas. Veja o México, onde um mesmo partido, o PRI, ficou no poder por mais de 70 anos. Dos 20 maiores exportadores de petróleo do mundo, 16 são ditaduras. E outros dois - México e Venezuela - são democracias com instituições fracas. A maioria está nos últimos lugares do mundo em desenvolvimento humano, e entre os primeiros em desigualdade e endividamento. É nesse clube que o Brasil está prestes a entrar. Será que devíamos mesmo estar comemorando? E será que tem algum jeito de escapar da "maldição do petróleo"?

Por que petróleo faz tão mal? Como é que uma das mercadorias mais valorizadas do mundo pode gerar pobreza, guerra e autoritarismo? Nos últimos anos, economistas e cientistas políticos encontraram uma série de explicações.

A primeira: petróleo enfraquece a economia. Ele custa tão caro que uma cachoeira de dólares entra no país. Com muitos dólares em caixa, a moeda nacional se valoriza. Resultado, fica barato importar produtos estrangeiros e caro produzir - aí a indústria nacional definha. Só que o preço do petróleo é uma montanha-russa. Em 1990, o barril custava mais de US$ 40. Meses depois, caiu para menos de US$ 20. Enquanto este texto era escrito, um barril custava US$ 135. Essas altas e baixas destroem qualquer um. O preço sobe, o país se alaga de dólares e as indústrias fecham. O preço cai, secam os dólares, o país se endivida e não tem indústria para ajudar.

A segunda: petróleo distancia os políticos do povo. A maioria dos grandes exportadores de petróleo nem cobra impostos da população. Não precisam. Têm dólar sobrando. Os governos não prestam contas a ninguém, roubam descaradamente, torram dinheiro público e a sociedade civil é fraca, desestruturada.

A terceira: petróleo torna a política mais burra. A maioria dos países exportadores não tem um projeto de desenvolvimento, apenas grupos rivais brigando pelo poder - e pelo acesso ao poço de dinheiro. Quando chegam lá, gastam que nem loucos, sem planejamento, para não deixar nada para os rivais.

Quer dizer então que nos ferramos? Não. Num certo sentido, o Brasil deu sorte de virar exportador justo agora, quando estudiosos estão desvendando os mecanismos da maldição e inventando antídotos. Outra sorte é que o nosso petróleo está enterrado bem fundo, e vai demorar para começar a jorrar. Ou seja, dá tempo de nos prepararmos. Só que devemos trabalhar já, antes de o petróleo começar a ser vendido. Veja o que precisamos fazer:

1. Ter um projeto de país. Está na hora de governo, oposição e sociedade civil discutirem que tipo de país nós queremos. Claro que não vamos concordar em tudo, mas dá para alcançar alguns consensos. Por exemplo: o de que precisamos de educação básica decente, de infra-estrutura, de um sistema de saúde, de pesquisa científica, de proteção ao ambiente. O papel da imprensa é discutir essas questões e informar a sociedade, para que todo mundo possa participar. Com todo mundo de acordo com esse projeto, podemos planejar a longo prazo o uso do dinheiro do óleo - e cada governo novo tem a obrigação de continuar o que o anterior começou.

2. Proteger a economia. Quando o dinheiro vier, nos encheremos de dólares. Precisamos evitar que essa dinheirama inunde a economia e supervalorize o real. O ideal é colocar tudo numa conta separada, que precisa ser vigiada de perto pela oposição e pela sociedade civil, para que ninguém tire dela mais do que o permitido. O governo só pode sacar até um certo limite, e deixar o resto guardadinho para os nossos netos. Se o preço do petróleo cair, pode sacar um pouquinho mais para evitar depressão na economia. Se subir, é hora de guardar para tempos bicudos. E tudo o que o governo sacar tem que ser usado para colocar em prática o projeto de país descrito no item 1. Nada de aumentar a gastança do governo.

3. Transparência. O único jeito de evitarmos que surrupiem a grana é abrirmos todas as janelas. Precisamos que cada funcionário do governo tenha obrigação de prestar contas do que faz. Precisamos de organizações independentes destinadas a investigar gastos públicos. Precisamos de uma imprensa menos gritona e mais vigilante e racional. Precisamos que cada órgão do governo tenha como uma de suas funções fiscalizar um outro órgão do governo. Precisamos que o orçamento seja claro, transparente e público. O saldo da conta do dinheiro do petróleo, por exemplo, tem que poder ser acessado online por qualquer brasileiro.

Se fizermos tudo isso, o petróleo não só deixará de ser uma maldição como resolverá a maioria dos problemas do Brasil. Está aí a Noruega, 3a exportadora de petróleo e 2o maior índice de desenvolvimento humano do mundo, para provar que é possível. Mas, se não fizermos a lição de casa... Hmm, a coisa vai feder.

*publicado originalmente na revista SUPER de julho/2008

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

BRISTÔ DO CANIBAL

Viajando por uma região de canibais, certo arqueólogo chega a um bistrô no meio da selva. O cardápio chama sua atenção.

BISTRÔ DO CANIBAL - só servimos carne importada


- Missionário inglês frito . . . . . . . . . . . . ..US$ 30,00
- Turista americano a moda do chef . . .US$ 25,00
- Freira italiana ensopada . . . . . US$ 35,00
- Político brasileiro ao forno . . . . . . . . . US$ 450,00
- Político brasileiro do PT ao forno . . ,. US$ 800,00

Não aceitamos cheques.

Intrigado com a disparidade de preços, ele pergunta ao dono da espelunca a razão dos pratos elaborados com políticos brasileiros serem Tão caros.
O empresário, então, lhe explica:
- Bem, o cara lá do Brasil, que exporta para nós, garante que político brasileiro é muito difícil de ser caçado. Para piorar, meu cozinheiro disse que eles levam horas e horas cozinhando.
- E tem mais: o senhor, por acaso, já tentou limpar um político do PT?

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Brasil: ato público marca coleta de assinaturas pela ética na política

 

SÃO PAULO, terça-feira, 11 de agosto de 2009 (ZENIT.org).- O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), que tem parceria da Igreja católica, fez na sexta-feira passada em São Paulo um ato público da campanha Ficha Limpa.

Segundo informa a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), o objetivo era mobilizar entidades e cidadãos a conseguir as 300 mil assinaturas que faltam para o encaminhamento ao Congresso do projeto de lei de iniciativa popular sobre a vida pregressa dos políticos candidatos. A proposta quer impedir que políticos condenados por crimes graves se candidatem.

A coleta especial de assinaturas começou sexta-feira e vai até o dia 7 de setembro, em todo o Brasil, e foi chamada “300 em 30”.

O juiz eleitoral Marlon Reis, representante da Associação Brasileira dos Magistrados e Promotores Eleitorais, explicou que “a campanha quer evitar que políticos condenados por crimes graves se candidatem. A legislação é branda e, em várias condenações, na prática não há punições”.

Para o coordenador do escritório da Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP), Gilberto Cardoso Sousa, os atos públicos do Campanha Ficha Limpa devem se estender.

“Estamos planejando desenvolver ações como esta em ocorreu em São Paulo em outros Estados brasileiros, pois assim conseguiremos mobilizar uma massa muito grande de pessoas em busca destas 300 mil assinaturas restantes”.

Segundo a CNBB, Minas Gerais é o Estado recordista na coleta de assinaturas do Campanha Ficha Limpa. Mais de 1% do eleitorado de Minas Gerais, onde há 14,07 milhões de eleitores, já aderiu à campanha. O Estado conseguiu 162.463 assinaturas.

A adesão dos mineiros é mais expressiva do que a registrada em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, com 29,1 milhões de eleitores. Os paulistas ocupam o terceiro lugar no ranking de Estados com mais assinaturas, atrás do Paraná, onde mais de 2,1% do eleitorado aderiu ao movimento.

O projeto Ficha Limpa pretende alterar a Lei Complementar nº 67/90, chamada Lei de Inelegibilidades, para impedir a candidatura de condenados em primeira instância e também de quem esteja com processo em andamento ou tenha renunciado para fugir de cassações. Caso a proposta seja aprovada, cerca de um terço do Congresso Nacional estará impedido de concorrer no próximo pleito, em 2010.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

DESVENDADO O SEGREDO DO SUCESSO DO PRESIDENTE LULA

(Lula 2002)

Existe alguma outra frase que possa expressar com tamanha clareza a natureza do nosso sistema político? Desse covil que ainda tem o poder de nos surpreender, de nos indignar? José Sarney, presidente do Senado, tenta nos fazer esquecer seus antigos pecados utilizando-se, para isso, e a cada dia, pecados novos. Quando estamos nos esquecendo das proezas de algum de seus filhos, aparece sua neta para nos lembrar que ainda estamos muito distantes da idéia de sermos um país sério.

O país acostumou-se a viver num eterno escândalo. Políticos são vistos pela sociedade como seres desprezíveis, desnecessários mesmo. Todos eles. De qualquer partido. Menos um! Sim, um deles resiste bravamente. Justamente o principal político do Brasil: seu presidente Luis Inácio Lula da Silva.

Lula será analisado pela História como o político que mais traiu seus eleitores, mais frustrou as esperanças de seu povo. No entanto, no presente, sai imune a todos estes escândalos e alcança altos índices de aprovação. Qual seu segredo?

Da mesma maneira com que Basil Hallward pintou o retrato de Dorian Gray, no romance de Oscar Wilde, Lula foi pintado pela Imprensa, na realidade brasileira. Lula e seu PT surgiram como o novo, os donos absolutos da verdade, da ética, da pureza. Ele estava acima de qualquer análise, de qualquer crítica. Não era como um de nós, que trazemos em nosso interior tanto o Céu como o Inferno. Lula era o oprimido que assumiria o poder e transformaria a política nacional. Como faria isso? Não importava. Ele representava a beleza do sonho em que o operário chega ao poder. E, como sabemos, a beleza não necessita de explicações.

Como Dorian Gray percebeu que seus excessos e seus vícios não afetavam sua aparência - pois se mantinha sempre belo, enquanto era seu retrato que adquiria as imperfeições resultantes de noites sem dormir, de bebedeiras, de toda sorte de perversões – seguiu sua vida certo de que assim seria eternamente. O mesmo ocorre com Lula: como todos os escândalos de corrupção, de “mensalão”, de caixa-dois que marcaram seu governo não afetavam sua popularidade, Lula sentiu-se livre para todo tipo de “acordo” com todo e qualquer tipo de gente. Hoje vemos nosso operário-presidente abraçado hora com Ahmadinejad, hora com Collor, hora com Sarney, com Renan Calheiros…

Não há limites para Lula, como não houve para Dorian Gray. O retrato para Dorian, assim como a Imprensa para Lula, impede que a cada pecado cometido haja em seguida o respectivo castigo. E no castigo há a purificação. Como não há castigo, Lula segue em sua trajetória de autodestruição.

Mas, então, qual a verdadeira face de Lula? Quem representa a imagem do retrato que envelhece e se deteriora?

Enquanto oposição, os feios e estúpidos do PT eram imbatíveis. Não queriam nem saber. Na dúvida, detonavam qualquer figura política que não lhes fosse simpática. E hoje, no governo, o que faz o PT?

É o Partido dos Trabalhadores quem sofre os desgastes das depravações ideológicas de Lula. Na verdade, Lula já destruiu o PT. Olhem nas fisionomias do Mercadante, do Suplicy, daqueles que abandonaram o partido fundando o PSOL ou seguindo para o PSTU. São seres apáticos, envergonhados, constrangidos. Olhem a UNE, transformada em chapa-branca. Olhem os sindicatos, hoje bajuladores e dependentes do governo. Lula não acabou apenas com o PT, acabou com toda a esquerda, de maneira geral.

Pois é! Assim como um artista, a Imprensa tem o poder de fabricar seus ídolos. Criaram um Lula acima do Bem e do Mal. Lula tem hoje o poder de salvar ou destruir a reputação de quem quer que seja. No passado destruiu a reputação de muitos. No presente salva políticos que mereceriam estar nas páginas policiais, não nas de Política. Mas será que salva mesmo? Será que Sarney, por exemplo, está sendo salvo? Ou Sarney terá o mesmo destino do PT?

O Partido dos Trabalhadores é o verdadeiro retrato do Lula. O PT ficou a cara do Sarney! E o Brasil ficou a cara do Maranhão!

E a imprensa?

Basil Hallward, apesar de considerar o retrato de Dorian Gray sua mais bela obra, nunca o expôs. Dizia que o retrato tinha muito de si mesmo. Lula, esse semideus criado pela Imprensa, também tem muito dela. Cuidado, B(r)asil! Dorian vai lhe enfiar uma faca na cabeça!

(Lula 2009)

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Aprenda a vigiar os políticos corruptos da sua cidade

Moradores de cidades de Minas e São Paulo se juntam e dedicam parte do seu tempo a averiguar se prefeitos, vereadores e outros servidores usam o cargo que ocupam em benefício próprio

Alana Rizzo - Estado de Minas

Em pelo menos 30 cidades mineiras ficou mais difícil roubar dinheiro público. É que os moradores desses municípios se uniram e formaram um verdadeiro exército de caça-corruptos. Os alvos: prefeitos, vereadores e servidores públicos que tiram proveito do cargo em benefício próprio. As armas: leis, mobilização e transparência. Pela Constituição Federal, todo cidadão tem o direito de saber onde e como está sendo gasto seu dinheiro.
“Não somos autoridades. Apenas usamos a legislação para investigar”, explica o presidente da organização não governamental Transparência Itajubá, Luiz Antônio Dias Santiago, que dá ao Executivo e ao Legislativo prazo de 15 dias para responder aos requerimentos feitos pela entidade. Do contrário, a Justiça é acionada.
Criada em 2004, a primeira missão da entidade, que se propõe a combater a corrupção e fortalecer a cidadania, era difícil. Tramitava na Câmara Municipal proposta de criar novos gabinetes para os parlamentares em um prédio alugado. O custo do projeto era de R$ 1,2 milhão. “Colocamos, literalmente, a boca no trombone. O movimento tomou conta das ruas e a proposta foi cancelada por três anos”, recorda. No ano passado, o projeto voltou para a pauta. Foi aprovado, mas os gabinetes agora ficam em um prédio público, o que reduziu as despesas.
O resultado, considerado uma vitória, motivou o grupo a continuar. Mais pessoas aderiram ao movimento e os moradores passaram a denunciar. “Quem tem que ter medo é quem faz errado. Não somos nós, que lutamos pela Justiça”, defende o presidente da associação.
Dono de um restaurante, Luiz Antônio sabe bem o que move cada um dos 49 integrantes do grupo, que tem de engenheiros a médicos e comerciantes. “O interesse cívico. A vontade de ver a cidade melhorar. Itajubá tem tudo para ser um paraíso, mas foram tantos problemas nos últimos anos…”
Atualmente, três representações feitas pela entidade estão sendo investigadas pelo Ministério Público Estadual (MPE). A última diz respeito à contratação irregular de médicos pela prefeitura. “Os problemas são os mesmos. Só muda o endereço”, conclui Luiz, que já foi procurado por moradores de várias cidades brasileiras, do Maranhão ao Rio Grande do Sul, interessados em se organizar.
Em Lambari, também no Sul de Minas, a Nova Baden, organização ligada à defesa do meio ambiente, também começou a investigar casos de corrupção. O aposentado Sebastião de Oliveira é um dos líderes do movimento. “Se a gente não fizer a nossa parte, nunca vai melhorar. Sei que não vai ser agora, mas temos que começar logo para daqui a 20 anos surtir efeito”, diz. Para ele, a população, principalmente no interior, é “meio desligada” de política. Muitos, segundo ele, até compactuam com o ato ilícito, seja por desconhecimento, seja porque levam alguma vantagem. Sebastião critica ainda o pensamento do “rouba, mas faz”. Já que defende, é obrigação do político fazer. “O dinheiro chega. O benefício é que, muitas vezes, a gente não vê”, reclama. O trabalho de conscientização na cidade surtiu efeito, segundo o aposentado. O prefeito é novo e dos nove vereadores apenas dois se reelegeram.
Orçamento

“É um desafio para a sociedade acompanhar o trabalho dos políticos. Ainda somos inexperientes no assunto e falta informação”, destaca Adriano Guerra, secretário-executivo da Oficina de Imagem e integrante do movimento Nossa BH. A organização, criada em dezembro, não caça corruptos, mas está de olho nos gastos do município. “Nosso trabalho é de monitoramento do orçamento municipal.” A ideia é que a população participe da elaboração das leis e aprenda a acompanhá-las. “Dessa forma, as irregularidades aparecem”, completa, exemplificando: “Se estavam previstos R$ 1 milhão para a construção de uma escola, o dinheiro foi gasto e a escola não foi feita, algo está errado”.
Atualmente, o Nossa BH elabora levantamento de indicadores da prefeitura e discute com o Poder Executivo o acesso às informações. Do Legislativo, o movimento cobra mais transparência e participação popular nas discussões.
Pioneira

Uma das iniciativas mais importantes nessa área é a da Amigos Associados de Ribeirão Bonito (Amarribo), do interior de São Paulo. Pioneira no combate à corrupção, a entidade foi criada em 1999, quando um grupo de amigos, incluindo alguns que já não moravam mais na cidade, resolveram se unir para contribuir para o desenvolvimento local. Depois de denúncias de irregularidades na prefeitura e da falta de transparência, a entidade começou a investigar o caso. A força do movimento provocou a renúncia do prefeito, que chegou a ser preso e responde a diversos processos criminais por improbidade administrativa. Desde então, a ONG tornou-se referência no assunto. Foram diversas atividades. Entre elas a criação da Rede Amarribo, que integra movimentos de combate à corrupção. Vinte e oito cidades mineiras fazem parte do grupo. Informações: www.amarribo.org.br.

 

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sexta-feira, 19 de junho de 2009

Política: a realidade da ficção, por Ben-Hur Rava* | ARTIGOS

ZERO HORA – Edição On line.

Jovens não conheceram Justo Veríssimo ou Odorico Paraguaçu, dois personagens constantes nas noites da televisão brasileira nos anos 70 e 80.
Justo Veríssimo, criado e interpretado por Chico Anysio, era o estereótipo do político venal, arbitrário e impune, afeito às maracutaias do poder e da corrupção. Seus bordões sempre queriam que o povo se danasse, tal era seu desprezo pela coletividade.
Odorico Paraguaçu, genial criação de Dias Gomes, foi transposto da peça O Bem Amado para a novela homônima e, depois, para o seriado de muito sucesso. Esse personagem, ao seu turno, encarnava espírito político semelhante ao de Justo, porém, menos arrogante. Com postura folclórica, era dissimulado e estridente. A sutileza da sua ação política baseava-se na estratégia do mandonismo, da jagunçada, em que a megalomania de grandes obras deveria reverter em prestígio, fortuna e continuísmo no poder.
Os traços desses personagens fictícios em muito espelham a tradição política provinciana e coronelista, que provém dos grotões do Brasil.
Poder-se-ia dizer que, pela sua postura, seriam membros do mesmo partido. Um partido que opera a lógica do interesse privado em detrimento do público, do autointeresse ao invés do interesse social. O que vale é a sobrevivência política – sua e de seu grupo de apaniguados –, custe a quem, e quanto, custar. A expressão que os caracteriza é que “se lixam para a opinião pública” .
Os coronéis da política nacional têm lastreado seu poder para além do quadro político interiorano, surgido em engenhos e estâncias do Brasil rural e que migrou para os centros urbanos com a ideia de burguesia nacional. Consolidaram estruturas de poder econômico que gravitam em torno das barganhas e acordos espúrios, nos quais a moeda de troca é o favor, o apadrinhamento, a distribuição de cargos que sustentam seus ganhos.
Sempre dispõem de estruturas políticas fechadas, em que os partidos são extensão da sua “casa-grande”. Tratam correligionários com benesses e indulgência. Os adversários, tratam com intimidação e represália, na máxima de Júlio de Castilhos, na República Velha: “Aos amigos tudo, aos inimigos, a lei!”.
A citação desses personagens me fez lembrar que a ficção, quase sempre, alimenta-se da realidade. Assim, qualquer semelhança com personagens atuais não é mera coincidência.

Política: a realidade da ficção, por Ben-Hur Rava* | ARTIGOS

Aqui nada se cria tudo se copia – Valter Ferreira.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Sarney e o escândalo nosso de cada dia - O Globo

Artigo do leitor Yasha Jose Rizzante Gallazzi

É inegável que a morte de Tancredo Neves, tão prematura quanto inesperada, roubou do Brasil uma ótima chance de ser chefiado por um estadista austero e competente. Mas, ao nos deixar como principal legado a figura de José Sarney, a "indesejada das gentes" também agiu para atirar o país ainda mais fundo no limbo de descrença do qual tentava sair após duas décadas de regime militar.

O patriarca de uma das mais longas e conhecidas oligarquias que o Brasil já conheceu não se cansa da ribalta. Mais que isso: a cada dia fica mais evidente que Sarney também não se cansa de produzir escândalos em série, vilipendiando a democracia sem qualquer cerimônia e com uma desenvoltura capaz de dar inveja a nações de rica tradição totalitária. A mesma democracia que sucumbe a cada nova manchete, a cada novo parente beneficiado por meio de "atos secretos", é aquela que o ex-presidente dizia respeitar e proteger, honrando aquilo que ele batizou de liturgia do cargo.

Em poucos dias, ficamos sabendo - atônitos, como sempre - que o senador maranhense, eleito pelo Amapá, teve pelo menos três parentes beneficiados por meio de "atos secretos" editados pelo Senado da República. Falou-se, primeiro, em um neto que, descoberto, teria deixado o cargo outrora ocupado. E o deixou para quem? Para sua própria mãe! Houve ainda uma sobrinha de Sarney, agraciada com mais uma nomeação secreta. Aliás, uma não! Foram duas! Sim, duas sobrinhas de Sarney, mais aquele neto. Não é um caso isolado, um equívoco, uma distração. É, antes, uma ação organizada e cuidadosamente planejada, que contribui para achincalhar cada vez mais da ainda frágil democracia brasileira. Neste contexto, os inúmeros parentes de Sarney não representam apenas indivíduos nomeados "às escondidas" por um Poder Republicano. São, na verdade, uma legião.

Se este fosse um país sério, Sarney seria levado a renunciar. A sociedade não aceitaria essa quantidade embaraçante de desmandos que surgem a cada novo dia no horizonte escuro de Brasília. Basta que lembremos o caso do Reino Unido, onde o Partido Trabalhista, tão tradicional e tão importante na terra da Rainha, está sendo literalmente desintegrado em razão dos sucessivos escândalos de corrupção envolvendo seus membros. Alguns ministros do governo progressista de Gordon Brown já entregaram suas renúncias e esperam apenas a persecução penal que virá certa como a morte. O futuro do atual primeiro-ministro, aliás, é assustador: os trabalhistas devem ser varridos pelos conservadores nas próximas eleições parlamentares britânicas. E tudo por quê? Culpa da crise? Da guerra no Iraque? Que nada! O que mudou os ventos na Inglaterra foi a decidida e firme intolerância dos eleitores daquele país diante da corrupção e dos ataques à democracia.

Mas e aqui? Ora, aqui temos que ler nos jornais os depoimentos "lulistas" de Sarney, repetindo aos quatro ventos que "não sabia de nada". Temos ainda que aturar o maranhense assumindo a condição de vítima, ao insinuar que estaria cansado da vida pública e das pressões supostamente existentes sobre o Parlamento Brasileiro. Fala-se, inclusive, que ele pode renunciar ao mandato em 2010, a fim de repousar um pouco. E eu pergunto: que tipo de inversão de valores morais é esse? Ora, a grande vítima em todos os recentes episódios dos "atos secretos" do Senado é a sociedade brasileira! Os que estão dentro do Congresso Nacional, editando e mandando editar aqueles atos imorais são algozes, isso sim! Onde foi para o senso democrático? Aliás, uma pergunta ainda mais fundamental: onde foi parar a vergonha na cara?

E não são apenas alguns políticos que esqueceram os imperativos morais categóricos. As pessoas do Brasil, em sua grande maioria, também precisam entender que o Congresso Nacional, com todos os seus crimes, suas tramóias e seus "atos secretos", nada mais é que um retrato fiel da nossa sociedade. Enquanto os eleitores não compreenderem que a democracia deve ser protegida a cada dia, extirpando da vida pública quem pretende apenas atender a interesses privados e escusos, não haverá escapatória. Enquanto, mesmo depois de vários escândalos, suas excelências continuarem contando com os votos estúpidos e benevolentes de uma Nação que ainda não compreendeu que uma democracia frágil é a porta que leva ao inferno do totalitarismo, não haverá indignação que baste. Se eles não têm honra suficiente para perceber o lodo no qual estão mergulhados, renunciando à vida pública - e às suas mordomias - e respondendo perante a lei, devem ser escorraçados pelos eleitores.

Assim se faz uma democracia: com eleições, participação, votos, erros e posteriores acertos. Errando sempre, não se consegue nada. Em uma democracia, é preciso agir com inteligência. Não se pode contar com a sorte, mesmo porque o acaso, ao que parece, está sempre a favor daqueles que só esperam uma chance para solapar nossas liberdades. Basta ver que o acaso nos tirou Tancredo... Ulysses... e Covas... Não! Temos que fazer nossa própria sorte e nosso próprio futuro! Temos que vencer os tiranos que tentam, por dentro dos mecanismos democráticos, estuprar a ordem legal estabelecida, valendo-se do Estado para auferir benefícios para si e para os seus, sempre em detrimento da sociedade brasileira. Eles nunca vão se render. É preciso, então, vencê-los! É isso, ou a barbárie.

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Sarney e o escândalo nosso de cada dia - O Globo

quarta-feira, 3 de junho de 2009

A política desconhecida: passageiro do Air France era descendente de D.Pedro II; monarquistas ainda se guiam pela Constituição de 1824 | MTV Brasil

01/06/2009 - 14:36

Vocês devem estar acompanhando o desaparecimento do avião da Air France. Um dos poucos passageiros já confirmados no avião era Pedro Luiz de Orleans e Bragança, de 26 anos. Pedro Luiz é um dos membros da família real brasileira, os tataranetos da Princesa Isabel. Pedro tem residência na Europa e havia vindo ao Brasil para visitar a família.

Parece coisa saída de livros de história, não? Curioso, resolvi dar uma pesquisada sobre o que podia encontrar sobre eles.

O Brasil é uma república há quase 120 anos, mas a família real ainda existe. E tem uma participação bastante ativa na internet. Eles têm um site, chamado Causa Imperial, que informa os títulos ocupados pelos membros da família. Coisas assim:

1 - Sua Alteza Imperial e Real, o Chefe da Casa Imperial do Brasil

Título sem valor institucional, utilizado pelo príncipe que seria hoje o Imperador do Brasil na eventualidade de uma restauração monárquica. A posição é atualmente ocupada pelo príncipe Dom Luiz. Caso imperasse, seguindo as normas referentes a títulos estabelecidas na Constituição de 1824, o príncipe seria "Sua Majestade Imperial, o Senhor Dom Luiz I, por Graça de Deus e Unânime Aclamação dos Povos, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil".

Segundo o site, o título de Pedro Luiz seria Alteza Imperial e Real. Ele seria o quarto na sucessão real, caso um dia voltasse a monarquia no Brasil.

E poderia voltar?

Quando a Constituição de 1988 foi editada, ela criou uma determinação de que deveria haver um plebiscito para confirmar ou mudar o regime de governo. Eram dadas duas opções para o regime (república ou monarquia) e duas para a forma (presidencialismo ou parlamentarismo). As duas opções mais populares eram a república presidencialista - que venceu - e a república parlamentarista. Mas o monarquismo tinha o slogan mais engraçadinho: "Vote no Rei".

Até hoje, em seus sites, os monarquistas criticam a república por seus vícios.Por exemplo, ao descrever o título de Pedro Luiz, eles classificam a proclamação da República como "golpe". Não que não tenha sido, na letra fria da lei: a proclamação decorreu de um movimento militar, mais do que de uma mobilização popular. Mas ainda assim é pesado chamar de golpe.

Em uma entrevista recente, Dom Bertrand de Orleans e Bragança - o segundo na linha de sucessão - também culpou a república pela corrupção. Aproveitou pra fazer o comercial da monarquia:

ALUNOS - Como o sr. avalia o alto grau de corrupção nas diversas esferas da política no Brasil?
Dom Bertrand - É fruto do regime republicano. Rui Barbosa, republicano que redigiu o decreto de Proclamação da República, algum tempo depois, vendo o desastre que foi a república, dizia que "na monarquia, o parlamento é uma escola de estadistas, na república transformou-se numa praça de negócios". Não sei o que ele diria se fosse a Brasília hoje em dia.

ALUNOS - Como eliminar a corrupção no Brasil?
Dom Bertrand - Esse quadro de corrupção é muito mais o resultado de uma crise moral e até religiosa, do que apenas uma crise social, econômica e política. A monarquia ajudaria a restaurar a moralidade. Ela cria na nação a consciência de que o país é uma grande família.

ALUNOS - Muitos críticos dizem que o quadro político do Brasil é fruto desde a época da colonização. O que o sr. tem a dizer sobre isso?
Dom Bertrand - Não é verdade. Isso não corresponde à realidade histórica. Rui Barbosa diz que de tanto ver triunfar a iniquidade, de prosperar a desonra, crescer as injustiças, a nação tem até vergonha de ser honesta. Essa foi obra da república nos últimos anos. Ninguém nunca acusou dom João 6º de qualquer coisa errada.

Parece uma lógica irrefutável. Mas não é.

Durante o reinado de Dom João 6°, praticamente não havia imprensa no Brasil. A imprensa precisava ser licenciada pelo rei. Caso houvesse imprensa independente, ela era combatida. Não havia transparência dos negócios públicos, então as irregularidades também nunca seriam descobertas. E a autoridade real era absoluta, portanto podia esmagar qualquer resistência. Vide as revoltas que aconteceram em vários estados poucas décadas depois da chegada da família real ao Brasil.

O regime atual pode ser muito complicado, especialmente tendo em vista a enxurrada de denúncias de corrupção. Mas essas denúncias só se acumulam pelo aumento da transparência dos negócios públicos --e aumentam a demanda por essa transparência. E, tirando as monarquias escandinavas e inglesas, que praticamente se tornaram apenas figuras representativas, sem importância política.

E não esqueça também que o Reino Unido onde os deputados foram pegos com a mão no pote tanto quanto os nossos caríssimos parlamentares brasileiros é... um reino, enfim. Ou seja: monarquia não resolve nada.

O sistema político sob o qual vivemos no Brasil pode ser muito imperfeito. Mas, com mais vigilância dos cidadãos, ele ainda pode ser menos imperfeito que boa parte dos outros regimes do mundo.

por Marcelo Soares

Tags: a política desconhecida, acidentes de avião, cultura política, regimes de governo

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